Sumiço de recintos desportivos um assunto para a PGR?

Os imensos espaços vazios em que se jogava à bola e se fazia atletismo a todo o momento, na Cidade de Maputo, foram ocupados por prédios e dumba-nengues. A prioridade era o afã dos negócios aos mais variados níveis, em associação de algumas das direcções dos clubes com as edilidades, nos “business”.

Se nos detivermos no desaparecimento ou mesmo sub-utilização dos recintos dos clubes federados, verificaremos que a razia foi gritante. Nalguns casos, a merecer uma investigacão da PGR!

SINAIS DO SUMIÇO

Recuemos à década 80. Os grandes clubes da cidade de Maputo possuíam pelo menos, 6 campos de futebol, a saber: Ferroviário da baixa e da Machava; Desportivo, Maxaquene, 1.o de Maio e Costa do Sol. Todos tinham iluminação e a sua utilização começava nas primeiras horas do dia, continuando em regra até às 11 horas da noite. Isso ao meio da semana. Sábados e domingos eram destinados aos jogos, abrangendo camadas jovens no período da manhã, seniores à tarde e, não raras vezes, à noite.

Além disso, todo o espaço ao agora reduzido Circuito António Repinga era utilizado por federados e populares, nos inúmeros campos entre os eucaliptos.

A “sangria” foi tremenda. Vejamos:
1. Campo Paulino Santos Gil, do Desportivo, por ter sido vendido num processo pouco claro, está agora cheio de capim. Da promessa de um substituto em Bobole, já não reza a história;
2. O vizinho do Maxaquene, com situação pouco clara, serve mais para espectáculos musicais do que para jogos e treinos. O espaço à frente, onde treinavam as camadas jovens foi ocupado pela sede da Mcel.
3. Recinto do Ferroviário da baixa, só tem iluminação, como que por milagre, em dias de “shows” musicais. É o que dá taco! Idem para a “catedral” da Machava, onde se desenrolaram os maiores feitos desportivos do país;
4. Do espaçoso recinto do Costa do Sol e “Matchiki-tchiki”, apenas sobrou uma ínfima parte, para “canarinho” ver. Nem com a EDM como patrocinador, se joga à noite.
5. Do campo do 1.o de Maio, em ruínas, vai ficar uma história, para um dia ser contada...
Em resumo e sem grande margem para erro, pode dizer-se que, para se treinar e jogar futebol, os tempos e espaços na capital do país terão sido reduzidos para menos de um terço.

DESPORTO AFINAL NÃO É SAÚDE?

Muitas empresas como Maquinag, Metal Box, Caju, Sonefe e outras, possuíam bons campos de futebol, corporizando-se lá, o Campeonato dos Trabalhadores, sem ser necessário recorrer aos recintos das equipas federadas. Estes espaços, tal como os recintos dos clubes suburbanos – Mahafil é uma excepção - não resistiram à voracidade da dita “rentabilizacão”. Prejuízos imensos para a saúde e confraternização da massa laboral que é, afinal, uma das principais razões da existência das empresas.
Havia ainda o futebol dos terrenos baldios – Mafalala e Xipamanine a serem verdadeiras “universidades do pontapé na bola – a que se juntava o campeonato militar.  

A “cereja” no topo do bolo, era a prática regular e constante dos currículos estudantis, da prática desportiva nas escolas.
Correr é saúde? Da prática resta apenas o “slogan”!

OLIMPÁFRICA: POR ONDE ANDAS?

Foi anunciado e inaugurado, com pompa e circunstância, o complexo Olimpáfrica em Boane, que contou com o apoio do Comité Olímpico Internacional. Poucos anos volvidos, ficou o matagal e a história das intenções. Se alguém se beneficiou da iniciativa não foi, seguramente, a juventude moçambicana, tão carente de espaços para correr, jogar e brincar.

Será que um dia ainda haverá um esclarecimento para este empreendimento, que longe de servir, terá manchado a imagem do país junto das entidades internacionais?

Ao se juntarem todas estas realidades, que foram sendo “foto-copiadas' um pouco pelo país, é fácil equacionar a razão principal, os quês e porquês, de Mexer e Zainadine Júnior serem excepções e não uma regra, no mapa de estrelas moçambicanas no futebol doutras latitudes!

Entretanto, de seminário em seminário vamos, paulatinamente, buscando razões que expliquem as descidas nos “rankings” e a distância cada vez maior do nosso desporto, relativamente a um passado glorioso.

 

 


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