Temendo ataques dos terroristas em Cabo Delegado mãe busca refúgio em Inhambane

Temendo ataques dos terroristas em Cabo Delegado mãe busca refúgio em Inhambane

Chama-se Ana João, vivia no distrito de Muedumbe em Cabo Delegado e muito cedo, a vida colocou-lhe a prova.

Foi em pleno 7 de Abril quando preparava-se para celebrar o Dia da Mulher Moçambicana que viu os terroristas atacarem a aldeia em que vivia. Ela conta que os terroristas chegaram naquela aldeia por volta das 7 horas e começaram a atirar e a queimar coisas. Aliás, Ana diz que até aquele dia só ouvia falar de ataques em outros locais, principalmente nos distritos costeiros, mas que para a sua surpresa, os terroristas chegaram e destruíram a aldeia em que vivia. Sem alternativas, ela levou os filhos e mais quatro sobrinhos e colocou-se em fuga.

Os terroristas ficaram quatro dias em Muedumbe e para se salvar ela passou cinco dias nas matas, com oito crianças, sem comida e sem lugar para dormir. Ela conta que para pelo menos dar de comer as crianças ela dependia da boa vontade das pessoas e teve até de roubar mandioca na machamba de desconhecidos, para evitar que as crianças morressem a fome.

Ana é professora numa das escolas naquele distrito e teve de deixar tudo, em busca de um lugar seguro em casa da mãe em Inharrime.

“Eu sou formada para dar aulas no ensino primário, fiz minha dependência em Muedumbe, mas deixei tudo lá, não consegui levar nada”, conta Ana João, para quem se depender dela não pretende voltar a Muendumbe, “talvez se me disserem para voltar por causa do emprego, mas as crianças vão ficar aqui” acrescentou a nossa entrevistada.

Mas a maior perda desses ataques são uma amiga e um colega que morreram nas mãos dos terroristas “uma minha amiga chamada Vitória, fugiu para a zona baixa, mas a bala lhe atingiu e morreu, tem também um professor de inglês de nome Bonga que foi baleado na aldeia”, disse Ana, enquanto contia-se para não chorar.

Ana vive desde Abril último numa tenda oferecida pelo INGC e tem de partilhar o mesmo espaço com as crianças.

Além dos ataques dos terroristas, Cabo Delegado é das províncias mais assoladas pela COVID-19. A senhora Ana e as 8 crianças foram mantidas em quarentena e testadas para a doença, cujos resultados deram negativo.


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