“Temos de nos organizar para exportar música de qualidade”

“Temos de nos organizar para exportar música de qualidade”

A música moçambicana está a crescer muito nos últimos anos. A convicção é de Albino Mbie, cantor, compositor e guitarrista moçambicano a viver nos Estados Unidos de América lá vão bons anos. Ainda assim, segundo entende o músico, os artistas nacionais precisam de se reinventar todos e todos os dias, pois “estamos a precisar de nos acomodar ao que o mercado nos pressiona a ser, de modo que consigamos exportar o nosso produto com qualidade desejada”.

De maneira a concretizar-se o propósito de se exportar mais obras de artistas, Mbie sugere que os moçambicanos invistam mais em eventos com músicos nacionais, pois só assim os produtores de fora podem perceber o valor da arte musical que produzimos. E, para o efeito, a organização é indispensável. “Precisamos de nos organizar porque aí reside a chave do sucesso. Se não nos organizarmos, ninguém fará por nós. E essa organização inclui a cadeia toda? os artistas, os produtores ou público em geral. Por exemplo, penso que o Ministério da Cultura e Turismo deveria ajudar os músicos a fazerem digressões, mesmo dentro de Moçambique, porque estamos a precisar de dar valor aos criadores internamente”.

Albino Mbie é autor de dois álbuns, Mozambican dance e Mafu. A fim de promover o segundo disco, o artista foi ao Parque dos Poetas, na cidade da Matola, domingo, e fez parte da iniciativa Dia do CD, organizada por Gilberto Phulume Jr., e que serve para aproximar os discos e os artistas aos seus admiradores. O evento acontece todos os domingos, entre 10 e 21h.

Foi naquela sessão aberta que o autor de Mafu referiu-se à importância da organização e do que o seu segundo CD representa para si. Para Mbie, Mafu é um lugar onde as almas e as sensações encontram-se. “E o facto de o CD unir temas relacionados com o amor ou com as tradições realiza o meu grande objectivo de comunicar com todas as idades, etnias e percepções de vida através da música”.

A propósito de encontros, na perspectiva de Albino Mbie, o contacto com o público significa ter um momento muito íntimo com quem gosta da sua música. “Penso que que constitui uma boa oportunidade para que as pessoas saibam quem é Albino Mbie”.

Estando a investir numa carreira fora do seu país, o autor de Mafu encontra na particularidade de se encontrar distante da sua terra uma oportunidade para reavaliar o que lhe caracteriza como moçambicano e o seu papel como representante das culturas de Moçambique no estrangeiro. “Cantar a minha terra é uma forma de me comunicar com o meu eu e com o meu país. Além disso, investir numa carreira fora do meu país, no caso, Estados Unidos, é uma oportunidade porque a concorrência num mercado como o da América é algo que nos faz crescer. Tenho vindo a aprender a cada dia e cada dia, para mim, é um sonho e uma oportunidade”, revelou.


 


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