“Trabalhámos afincadamente para conquistar o título”

“Trabalhámos afincadamente para conquistar o título”

Os “locomotivas” da capital fizeram o três a zero diante de um adversário com o qual foi preciso recorrer ao jogo cinco nas finais de 2016, em Maputo, e 2017, na Beira. Para Isidro Amade, director do departamento de basquetebol do Ferroviário de Maputo, a conquista do título foi fruto do trabalho árduo da colectividade desde que perdeu o título em 2016.

Isidro Amade diz ainda que o Ferroviário de Maputo pretende melhorar a sua prestação nas eliminatórias da zona VI da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol, prova que terá lugar em Outubro, em Harare, Zimbabwe.

Quais foram os factores determinantes para que o Ferroviário de Maputo recuperasse o título perdido, em 2017, para o seu homónimo da Beira, sobretudo, ao vencer categoricamente por três a zero nos “play-offs” da final a melhor de cinco jogos?

O Ferroviário de Maputo, logo depois de perder o campeonato nacional ano passado na Beira, tentou corrigir todos erros que cometeu para que não tivesse sido campeão. O Ferroviário de Maputo preparou-se, desde aquela altura até à data do campeonato nacional, para vencer a prova. Dizer que os jogadores e o departamento pediram à direcção para que voltassem a Beira para levar a taça onde haviam deixado. Trabalhámos afincadamente. Não fizemos nem melhor nem pior. Fizemos diferente e, o resultado disso, foram os 3-0 nos play-offs. Na primeira fase, não esticámos muito a equipa. Jogámos e estudámos os pontos fortes e fracos dos nossos adversários. Quando chegou a altura dos “play-offs”, atacámos o título com muita seriedade e tranquilidade.

Na fase regular, o Ferroviário de Maputo perdeu diante do Costa do Sol por 80-77, num jogo muito equilibrado…

Com todo o respeito que temos pela estrutura do Ferroviário da Beira, com a equipa muito boa e bem orientada por Nasir Salé, mas dizer que para nós é mais difícil jogar com o Costa do Sol e A Politécnica porque, durante o ano, fizemos muitos jogos com as mesmas equipas e conhecemo-nos uma as outras. Fica um bocadinho mais difícil. Qualquer jogador tem disto: quando joga com uma equipa com menor qualidade em termos de jogadores têm um bocadinho desprezo. Mas quando os nossos jogadores vão jogar com o Ferroviário da Beira, eles preparam-se. Nós fizemos, durante a época, cinco jogos com o Ferroviário da Beira tendo perdido o primeiro e ganho cinco. Acho que não há argumentos para dizer que são equipas iguais. Nós não somos, de forma alguma, iguais ao Ferroviário da Beira. Temos de agradecer ao Ferroviário da Beira pelo facto de ter valorizado a nossa vitória. Mas nós com toda a tranquilidade, se for a ver os três jogos, eles aproximaram-se mas estávamos tão tranquilos que superámos qualquer dificuldade no momento. E, como vê, tem o Ferroviário de Maputo a fazer o 3-0, situação que não é tao normal nas nossas bandas.

Em 2016 e 2017, a decisão do título foi “ à negra”. Ou seja, foi preciso recorrer-se ao jogo cinco para se encontrar o campeão nacional. Qual foi o segredo para que o Ferroviário de Maputo não precisasse de tantos jogos?

O segredo é a alma do negócio. Então, algumas coisas poderei dizer e outras não. Mas nós vimos os pontos fracos, em termos de estrutura de equipa, e montámos. Viemos com um jogador em cima da hora, nas meias-finais, que eles não contavam. Um jogador de muita valia que acabou fazendo a diferença. Foi mais uma final. Foi mais um jogo.

Este ano, ficou mais difícil jogar com o Costa do Sol do que com a A Politécnica. Pelo investimento que o Ferroviário da Beira tem, pela estrutura que o Ferroviário da Beira tem tanto desportiva quanto administrativa, também é nosso adversário. Mas respeitamos todos os adversários da mesma maneira. Também sinto que o Costa do Sol e A Politécnica são equipas com a altura de fazer concorrência.

Com a conquista da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal, o Ferroviário de Maputo ganhou o direito de representar Moçambique nas eliminatórias da zona VI para a Taça dos Clubes Campeões Africanos, prova a ter lugar em Outubro, em Harare, Zimbabwe. O que é que Ferroviário de Maputo esta a fazer para se apresentar a um bom nível na prova?

Neste momento, a equipa do Ferroviário de Maputo tem um repouso de 15/20 dias e depois volta a trabalhar. O nosso primeiro objectivo é tentar melhorar aquilo que foi a nossa prestação, ou seja, passar para a fase seguinte.

Como é que o Ferroviário de Maputo olha para o actual modelo ou figurino da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal. O que tem que ser melhorado?

Eu acho que, para a divulgação do basquetebol, devia ir para mais uma província. Acho que esta ideia de fazer jogos cá em Maputo e nas províncias, mesmo sabendo que o país é extenso e é muito oneroso, é muito boa e dá espaço para que todas as províncias envolvidas possam ter basquetebol. Mas acho que os “play-offs” do terceiro e quarto deviam ser e era mais abrangente. Acho que mais parceiros deviam-se juntar a este projecto à medida que o produto é vendável e a qualidade é boa. A pedra foi lançada. A Liga Moçambicana de Basquetebol lançou a pedra e os clubes, os parceiros da Liga, ou seja, os fazedores da Liga puseram mãos à obra e apresentaram um produto vendável. Acredito que com mais parceiros a juntarem-se a nós pode-se fazer este espectáculo ao longo do país e com mais qualidade. Há um pavilhão na Beira, há um pavilhão em Nampula e há um pavilhão em Maputo. Podíamos estender a prova, mesmo que a primeira fase começasse em Nampula e depois se fizesse as outras duas fases na Beira e Maputo.

“Não é tão verdade que a gente vá buscar muitos jogadores fora”

O Ferroviário de Maputo reforçou-se com dois jogadores estrangeiros, nomeadamente o espanhol Alvaro Manso, MVP da prova, e o americano Eric Coleman. Estes jogadores estrangeiros foram tão determinantes ou o Ferroviário de Maputo apresenta melhor estrutura que os seus adversários?

Acredito que sim. A miscelânea entre os estrangeiros e nacionais, a qualidade que trazem e emprestam aquilo que é o nosso plantel, foi determinante. Mas tenho um reparo a fazer. Eu acho que os prémios deviam ser apenas para os atletas nacionais porque, se formos a ver, os estrangeiros vem cá e fazem meia dúzia de jogos para além de serem bem pagos e depois levam os prémios que deviam ser para os nacionais. Com todo respeito, não concordo com os prémios que foram dados. Acredito que, se as estatísticas foram bem-feitas, os prémios não são aqueles. Com todo o respeito, acho que devia haver prémios para estrangeiros sim, mas também para nacionais. Acredito que devia haver espaço e eles pensaram tal como foi feito na comemoração para a Beira como se de campeão nacional se tivesse tratado. Não sei se é porque jogámos na Beira e não em Maputo porque, quando jogamos cá, isso não acontece. Acho também que deram os prémios aos jogadores da Beira, com todo o respeito, não porque mereceram. Há alguns jogadores que tiveram performance muito alta que não tiveram os prémios individuais que tivemos.

Como, por exemplo?

Orlando Novela. Para mim, devia ter sido o MVP. Orlando Novela foi MVP desta prova. O Alvaro Maso talvez tivesse outros argumentos para outro prémio que não fosse o de MVP. O MVP desta prova foi claramente o Orlando Novela.

Não é favorável aos critérios que ditaram os prémios individuais?

Se for a fazer uma ronda por todos os sítios, toda a gente vai dizer que alguns prémios foram dados porque jogámos na Beira. Se calhar, se fosse em terreno neutro, alguns atletas não teriam aqueles prémios.

Voltando a Taça dos Clubes Campeões Africanos. O Ferroviário de Maputo irá reforçar o seu plantel com Alvaro Manso e Eric Coleman ou conta com outros atletas estrangeiros?

Em princípio, iremos apostar na prata da casa. E, se houver necessidade de trazermos mais jogadores estrangeiros, a gente pode. Ano passado, por erro de um árbitro não fomos a fase seguinte. Acho que com a prata da casa podemos fazer um bocadinho mais. Se houver necessidade a gente pode. O Eric Coleman neste momento já esta na Oliveirense  que é o  clube onde joga regularmente. Vai-se apresentar dentro de uma semana. O Alvaro Maso já tem um clube em vista. Nesta janela, fica um bocado difícil contratar este tipo de jogadores porque abre a janela na europa e eles vão jogar na Europa. Nos vamos contar com a prata da casa e, se for necessário, a área técnica vai indicar jogadores que é para a gente acrescer valor a equipa para poder participar na Taça dos Clubes Campeões Africanos.

O Ferroviário de Maputo é das equipas que mais contrata no mercado nacional. Há quem diga que esta é uma estratégia para enfraquecer os seus adversários…

Eu faria a pergunta de uma outra forma. Se o senhor for a ver de baixo para cima, o Ferroviário de Maputo é o clube que mais movimenta atletas nos escalões de formação. O Ferroviário de Maputo é campeão nacional de juvenis masculinos e femininos. O Ferroviário de Maputo é campeão nacional de juniores femininos e vice-campeão de juniores masculinos. O Ferroviário de Maputo é campeão nacional de seniores masculinos e pentacampeão de seniores femininos. Muitos dos atletas que a gente vai buscar são atletas de casa que saem e depois regressam. Não é tão verdade que a gente vá buscar muitos jogadores fora.

 


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