UD SONGO: um bicampeão irregular mas digno do título

UD SONGO: um bicampeão irregular mas digno do título

A União Desportiva de Songo conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o título de campeão nacional de futebol, num ano bastante atípico, em que houve demissão em bloco da direcção da colectividade, depois de afastar a equipa técnica. Os campeões nacionais  fizeram mais jogos que qualquer outra equipa do país.  

Mais um título para Songo! O terceiro em três anos consecutivos! A demonstrar que a equipa da UD Songo entrou nos anais de uma grande equipa do futebol moçambicano. Uma Taça de Moçambique em 2016, um título nacional em 2017 e outro este ano, revelam a grandeza, não só da equipa, mas da robustez das direcções que passaram por este clube, nos últimos três anos. E nesses três anos sempre esteve nos lugares de destaque em todas provas em que participou, ou pelo menos em duas das três provas em que sempre esteve envolvida.

Um campeão, aliás, bicampeão irregular, entretanto esforçado, que teve muitos jogos nos pés, em relação a todas outras equipas moçambicanas.

Ao todo, foram 42 partidas disputadas por esta colectividade quando falta apenas uma jornada para terminar a época desportiva da turma de Songo.

Na presente temporada, os “hidroeléctricos” conseguiram 20 vitórias, 11 derrotas e 11 empates, um saldo que pode se considerar positivo, tendo em conta que marcaram 52 golos, tendo sofrido 44, um saldo positivo de 8 golos. Isto revela a veia goleadora dos seus jogadores, com Hélder Pelembe, Mário Sinamunda, LauKing e Kambala a serem as veias venenosas dos adversários, mas também uma defesa bastante segura em muitos jogos, o que fez com que sofresse poucos golos.

Do início à demissão da direcção e equipa técnica

A União Desportiva de Songo foi a primeira equipa a entrar em acção em Moçambique, para preparar a participação nas afrotaças. Foi afastada da Liga dos Campeões após ser eliminada pelo TP Mazembe na última eliminatória de acesso à fase de grupos, com agregado de 4-3, tendo passado para a Taça CAF. Venceu o play-off frente ao El Hilal Obied do Sudão e chegou à fase de grupos, onde conseguiu três empates e três derrotas, terminando na terceira posição com três pontos.

Mas a boa prestação nas afrotaças contrastava com as exibições internamente. A equipa teve um mau início do campeonato e foi eliminado da Taça de Moçambique ainda na fase provincial, diante do Chingale de Tete, o que precipitou o afastamento de Chiquinho Conde do comando técnico, por alegadamente não ter atingido os objectivos do contrato, que passavam por conquistar a segunda maior prova do país. Pouco depois foi a própria direcção de José Costa a demitir-se em bloco.

Veio a comissão de gestão, liderada por Lucas Gune, que foi ao rival provincial

Chingale de Tete, buscar Nacir Armando para comandar a equipa. Este tinha como objectivo fazer a melhor prova possível na Taça CAF e recuperar lugares na tabela classificativa do Moçambola 2018.

“Santos” do Nacir fizeram milagres em Songo

Nacir Armando aceitou o desafio e foi à luta. No campeonato iniciou uma recuperação sensacional, mesmo tendo (muitos) jogos em atraso em pouco tempo. Em Agosto, a UD Songo realizou cinco jogos do Moçambola e mais dois da Taça CAF e em Setembro fez os seis jogos do Moçambola, nomeadamente às quartas-feiras e domingos.

Nessa altura, quando iniciou a maratona de jogos seguidos, estava na 6ª posição, com menos oito pontos que o Ferroviário de Maputo.

Mesmo com o cansaço nos pés, os jogadores conseguiram recuperar energias e ir atrás de pontos. Acreditaram que era possível.

O jogo que disputou diante do Ferroviário de Maputo e que venceu por duas bolas sem resposta foi o ponto fulcral para assaltar a liderança e nunca mais a largar. Ganhou vantagem de pontos e no confronto directo sob o directo perseguidor de Maputo. Mesmo em jogos em que os “hidroeléctricos” deslizaram, a “locomotiva” não conseguia aproveitar. E chegou o título na jornada 29, no empate dos “hidroeléctricos” em Quelimane, a aproveitarem mais uma derrota do Ferroviário de Maputo, na sua deslocação ao Chiveve.

Só na segunda volta, a União Desportiva de Songo fez mais pontos que qualquer outra equipa no Moçambola, nomeadamente 28, adicionados aos 30 feitos na primeira volta, somando 58 pontos que dão o título. E ainda vem o Maxaquene para o jogo da consagração.

Facto mesmo é que a União Desportiva de Songo conquista o título num ano atípico, em que teve duas direcções e duas equipas técnicas. Mas há mais desafios para esta equipa que vai representar o país nas afrotaças 2018/2019, que inicia em Novembro próximo e termina em Maio.


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