Autismo: Quando o futuro das crianças é uma incógnita

Tem 11 anos de idade e só aos sete começou a falar. Mas nem por isso Ishaan Abu-Bacar deixa de ser uma criança como as outras. Sente, chora, sorri e tem, inclusive, sonhos que pouco consegue expressá-los. É pouco compreendido. É autista

O seu futuro é uma incógnita. De comportamento imprevisível, Ishaan Abu-Bacar sofre de um transtorno sem cura, caracterizado por dificuldades no desenvolvimento da comunicação e no seu comportamento social. “Descobri que Ishaan é autista quando tinha três anos. Infelizmente o diagnóstico teve que ser feito fora do país, porque em Moçambique ainda não há capacidade para tal. Apenas notávamos que ele tinha comportamentos diferentes. Não falava”, conta a mãe do rapaz de 11 anos, Fátima Sales.

“O autismo é um mundo desconhecido. É uma surpresa a cada dia. O importante é não desistir”, sustenta a mãe de Ishaan.

Quando perguntamos ao filho qual era o seu sonho, apenas respondeu “tenho sonho”. Um sonho que não consegue expressá-lo.

Mas esta não é única história de uma criança autista. Wendy Mavimbe tem também 11 anos, e tal como Ishaan Abu-Bacar, a pequena Mavimbe enfrenta dificuldades na sua socialização. “À medida que ela vai crescendo, os desafios vão sendo outros. Uma das dificuldades que tivemos como pais é identificar uma escola para a menina. Uma escola que seja inclusiva. Infelizmente tivemos que recorrer a uma escola privada. Tem tido um acompanhamento, uma terrapia”, diz, por sua vez, a mãe da pequena Mavimbe, Ivandra Libombo.

Enfim, o dia-a-dia dos autistas é feito de desafios nas suas relações com outras crianças, com adultos, seja na família, na escola, como na sociedade em geral.

As duas crianças autistas e os seus respectivos pais juntaram-se, hoje, a mais de 120 pessoas para celebrar o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, data assinalada a 2 de Abril.

Além de um encontro de reflexão, a celebração da data foi, também, marcada por uma marcha em algumas das principais avenidas da capital, Cidade de Maputo.

“É o nosso grito de chamada de atenção para o conhecimento deste síndrome. Que as pessoas percebam e passem a viver de forma justa e correcta com as pessoas autistas”, disse Felisberto Macuácua, pai de um filho autista.

A presidente da Associação Moçambicana de Autistas (entidade organizadora da marcha), Nélia Macondzo, destacou que há desafios no país de lidar com pessoas autista de forma normal e criar um espaço para elas na sociedade, em particular na educação, na saúde e noutras áreas essenciais para o desenvolvimento do ser humano. “Convidamos a sociedade toda a envolver-se nesta causa”, disse Macondzo, alertando que o autismo é um transtorno que pode acontecer com qualquer criança.

O autismo é um tipo transtorno que causa problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação e no comportamento social. Actualmente, estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo possuem algum tipo de autismo, um mal sem cura e que as suas causas ainda são incertas.


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